quarta-feira, 16 de junho de 2010

... Um dia de chuva ...


Chove lá fora, nessa chuva não há demora,

E o sol em mim a brilhar a todo o momento,

Chuva refresca e conta a mais bela história,

Dos ciclos da vida desde que há memória.

Reparem na sua bela melodia, forte e macia,

Suaviza-me, cai na minha pele que amacia,

Chegou e voltará novo, mostra-se num todo,

Assim como seu oposto, seu amigo, o fogo.

As gotas são pequenas mensagens do céu,

Gotas caídas das nuvens, dos livros de Deus

São lidas e rescritas em poemas teus e meus,

Deixa as gotas te alcançar, tira esse chapéu.

(Bruno Dias)


Cai chuva. É noite. Uma pequena brisa
Cai chuva. É noite. Uma pequena brisa,
Substitui o calor.
P'ra ser feliz tanta coisa é precisa.
Este luzir é melhor.
O que é a vida? O espaço é alguém pra mim.
Sonhando sou eu só.
A luzir, em quem não tem fim
E, sem querer, tem dó.

Extensa, leve, inútil passageira,
Ao roçar por mim traz
Uma ilusão de sonho, em cuja esteira
A minha vida jaz.
Barco indelével pelo espaço da alma,
Luz da candeia além
Da eterna ausência da ansiada calma,
Final do inútil bem.
Que, se quer, e, se veio, se desconhece
Que, se for, seria
O tédio de o haver... E a chuva cresce
Na noite agora fria.

(Fernando Pessoa)

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